Respirei: precisava dar um grito. Precisaria de um tempo, talvez; mas tempo nenhum é preciso para comigo. Precisando, esperei e, esperando, me contive. Precisei, respirei: quanto tempo será que há na espera que, precisa e forasteira, espera um tempo aqui comigo?
Esperei, respirei, precisei.
Precisando de um tempo, fui atrás do tempo que não tive - nem tive tempo de ter. Tive algum tempo para ser e fui. Aquele tempo de ser. Sendo, fui logo ser justo aquilo tudo que chega e depois se vai, se esvai e some que nem vento. Mas fui. Fui pra não ficar, pra precisar, pra respirar e esperar - esperar algo qualquer que me trouxesse de volta o prazer da volta, o prazer do vento e o prazer de um tempo, daquele tempo… tempo forasteiro, que chega mas não fica: vai logo embora.
Fui lento.
Já foi tempo, faz horas, que fui-me embora e deixei algo em mim perdido para trás. Fui atrás do que me foi abandonado em mim mesmo - trajeto sine qua non à minha paz. Me contive, dei um tempo, analisei: perder meu tempo, não mais. Tracei linha do tempo no quadro negro do meu ser. Dei mais um tempo, respirei - mas bem fundo dessa vez: linha do tempo é corda bamba. Me equilibrei.
Da corda bamba do tempo, um vislumbre: o horizonte. No horizonte, o tempo se enrola e não dá mais corda, se perde no espaço. O horizonte engole as horas, transformando tudo que é hoje em ontem, quando nos traz de presente o futuro: amanhã. Da corda bamba do tempo, encarei o horizonte alimentado de passados há horas devorados e, então, notei que havia em mim uma meta: alcançar o horizonte e para sempre viver a doce esperança de recomeçar - forte, cuspido e inteiro - contido no amanhã.
Mas a minha meta carecia de um plano, então parei, esperei. Pensei: minha vontade, de tão pura, não arquitetou plano algum. Precisava de um plano. Respirei. Fiquei firme. Linha do tempo, corda bamba, trêmula. Quis tanto um plano, não o tive: precisei.
Nessas horas, me seria bom manter um claro raciocínio, coragem de bandido e equilíbrio próprio de um herói. Mas não sou perfeito, nem fui assim, tão imperfeito - fui o meio termo e não me contive: perdi meu tempo, soltei um grito e enfim caí, me desequilibrei.
Chorava muito: me levantar, eu precisei. Daqui a um tempo, quem sabe?, pensei.
Amanhã, outro dia.
Torci, pedi, rezei.
precisava dar um grito. Precisaria de um tempo, talvez; mas tempo nenhum é preciso para comigo. Precisando, esperei e,...